(Des)Individualização de José Eduardo Silva em estreia no TeCA

Com música tocada ao vivo, o espetáculo reflete sobre a aparência de diversidade e liberdade dos indivíduos numa sociedade globalizada

 “Explorámos limites entre o teatro e a música, entre atores não-músicos e músicos não-atores, entre memórias presentes e entidades ausentes”. É assim que José Eduardo Silva descreve a mais recente estreia absoluta do Teatro Carlos Alberto (TeCA), no Porto. (Des)Individuação – (Des)Concerto para Bernard Stiegler está em cena a partir de amanhã, dia 10 de março, e reflete sobre noções de filosofia, partindo de uma constelação de autores (como Brecht ou Nietzsche) e pensadores contemporâneos, como Gilbert Simondon e Bernard Stiegler. O espetáculo vai ser acompanhado por música ao vivo, tocada por três músicos: Albrecht Loops, Henrique Fernandes e Gustavo Costa.

(Des)Individuação – (Des)Concerto para Bernard Stieglerpensa o tema da individuação e, portanto, da sua impossibilidade para explicar o sentimento ilusório de escolha que existe na sociedade. Diz-nos Joaquim Luís Coimbra, Professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, no programa da peça, que “a nossa margem de escolha alargou-se de um modo impensável há apenas algumas décadas”, mas que o marketing e a publicidade “reduzem a nossa autonomia, traem a nossa identidade, vão erodindo os nossos saberes”.

Para José Eduardo Silva – que assina a dramaturgia e encenação do espetáculo, para além de ser intérprete – era importante falar sobre as sociedades de hiperconsumo e globalizadas, onde o poder económico determina cada vez mais as nossas ações e servem de “controlo” do pensamento. A ideia de que somos sujeitos livres e individuados/singulares é, para o encenador, uma mentira. Joaquim Luís Coimbra acrescenta que “numa aparência de diversidade, estandardizámos as nossas vidas” já que o consumidor passou ao estatuto de mercadoria e, portanto, “somos a primeira e mais decisiva commodity”.

(Des)Individuação – (Des)Concerto para Bernard Stiegler é uma coprodução entre Teatro do Frio – companhia cofundada por José Eduardo Silva em 2005 – e Teatro Nacional São João. O espetáculo “musicado” vai estar em cena até dia 20 de março e pode ser visto na quarta-feira, às 19h00, entre quinta-feira e sábado, às 21h00, e no domingo, às 16h00. O preço dos bilhetes é de 10 euros.

Fonte: Teatro Nacional São João

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