Um Outono quente é o melhor amigo dos vinhos brancos

Este Verão prolongado que temos aproveitado, espraiado até Novembro – agora reforçado por São Martinho, padroeiro de quem faz o vinho – tem sido o melhor incentivo para contrariar a sazonalidade de que sofrem os vinhos brancos. Em 2016 certamente que os seus lotes mais jovens esgotarão muito antes da altura habitual. Pessoalmente, não senti grande variação nos meus hábitos de consumo, fora o copo de rosé ou espumante ao final das (cada vez mais curtas) tardes, que a brisa amena reclama sempre. Mas agradeço a São Pedro pelo trabalho que tem tido em baralhar as convenções vínicas de gente tão arreigada que, por esta altura, num ano normal, já teria há várias semanas excluído os brancos da sua selecção diária.

O Inverno é, por tradição, o reino dos tintos. Das castanhas ao bacalhau da consoada, o frio pede vinhos encorpados, untuosos, envolventes, e para essa medida há tintos de certas regiões que cabem que nem uma luva. Mas não há grandes brancos – sobretudo reservas, os mais clássicos – encorpados, untuosod, envolventes, tão ou mais que os tintos invernais? Uma sugestão pessoal para descobrir na temporada das festas: os grandes Encruzados do Dão. Ou muito me engano ou irão ser a sensação dos próximos Invernos. Assim o espero, pelo menos!

Por outro lado, quem é que mora ainda em rústicas casas de pedra, precárias e susceptíveis aos humores do clima, para orientar o seu barómetro de apreciação de vinho pelo calendário das estações? No conforto do nosso lar, nas longas noites de inverno, não haverá tempo para os tintos, os brancos, os espumantes, os rosés, os licorosos e demais gradações no vasto espectro do vinho?

Na temporada das festas não faltarão certamente iguarias para acompanhar cada um destes diferentes tipos de vinho, tão característicos e singulares como elas próprias: o bacalhau cozido, os filetes de polvo, as migas de grelos, os pudins de ovos, o queijo da serra, os frutos secos, os doces de abóbora, o peru assado, as rabanadas, a salada de grão, o cabrito… Com tão farta mesa, não se pense que um único tipo de vinho poderá alguma vez ser incumbido de acompanhar adequadamente toda esta diversidade gastronómica. Não nos esqueçamos que nem a mesa de Natal é domínio de um vinho só, nem o Inverno é exclusivamente estação de tintos.

Pedro Almeida Leitão

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