10 curiosidades sobre a admirável história do Mateus Rosé

Fará no próximo dia 29 de Outubro precisamente 72 anos desde que a Sogrape lançou no mercado nacional as suas marcas seminais: Cambriz, Vila Real Branco, Granado Tinto e Mateus Rosé. Ao longo dos anos todas sofreram mutações de nome, de aspecto e de conteúdo, mas a última sobreviveu praticamente incólume e é ainda hoje a menina dos olhos de ouro da maior empresa vinícola do país. Desde a primeira venda internacional de Mateus Rosé – 100 caixas em Novembro de 1943 com destino ao Rio de Janeiro – a marca tornou-se uma das mais vendidas no mundo inteiro, permitindo à Sogrape crescer, capitalizar os seus investimentos, diversificar em produtos e geografias, bem como promover a qualidade do seu vinho – e, por inerência, a imagem de qualidade do vinho português. Fernando Van Zeller Guedes, fundador da Sogrape e pai do Mateus (o «Mr. Rosé», como era carinhosamente conhecido nos países do Extremo Oriente), foi o grande arquitecto de uma estratégia comercial que levou a empresa a um esplendoroso patamar em que reluzem os números alcançados: 50 milhões de garrafas vendidas para mais de 120 países no final da década de 70. Conheçamos algumas curiosidades históricas de um dos mais singulares fenómenos comerciais do sector dos vinhos.

1. A Forma. Para moldar a garrafa do Mateus, Fernando Guedes inspirou-se nos cantis usados pelos soldados na I Guerra Mundial. Este formato permitiu à marca destacar-se das demais garrafas de vinho nas prateleiras das garrafeiras.

2. O Nome. Após um moroso período de negociação com o Conde de Mangualde, proprietário do Palácio de Mateus em Vila Real, Fernando Guedes adquire o direito de uso do nome e da fotografia do edifício para o rótulo da marca. Como contrapartida a Sogrape era obrigada a comprar parte da produção anual das vinhas do Conde, de sua mãe e de sua tia, situadas na Região Demarcada do Douro, a um valor 40% superior ao preço mais alto praticado no concelho de Vila Real.

3. De Portugal para o Mundo. Uma das primeiras medidas aplicadas por Fernando Guedes consistiu no envio de caixas contendo cada duas garrafas de Mateus para Embaixadores e Cônsules portugueses espalhados pelo mundo. Na carta que acompanhava cada caixa, pedia-se ao destinatário que, caso apreciasse o vinho, oferecesse a segunda garrafa a uma individualidade influente que pudesse contribuir para promover o vinho nesse país. Escusado será dizer que não pararam de chover encomendas no seguimento desta medida.

4. The Ascot Races. Em 1961, o Mateus Rosé surgia como patrocinador deste importante evento do calendário inglês, dando nome a um dos troféus da competição. O prémio, no valor de 5000£, foi pessoalmente entregue por Fernando Guedes ao vencedor da prova.

5. As Lendas bebem Mateus. A iconografia do Mateus Rosé está indelevelmente ligada às fotografias tiradas na década de sessenta em que celebridades conhecidas em todo o mundo surgem alegres e descontraídas a beber o seu copo de rosé. Jimmi Hendrix, Elton John, Nubar Gulbenkian, Danny Bianchflower (capitão do Tottenham F.C.) e Amália Rodrigues são algumas das estrelas que contribuíram para uma das mais famosas campanhas de sempre no sector dos vinhos.

6. Apreciadores Famosos. Rumor has it… Contava-se, dizia-se, comentavam-se os gostos e opções dos grandes e dos poderosos, e as suas preferências vínicas não eram assunto esquecido das conversas de café de então. Nubar Gulbenkian, filho de Calouste Gulbenkian, considerado o homem mais rico do mundo nos anos sessenta era também um declarado gastrónomo e apologista do gourmet. Foi fotografado no Café Royal em Londres a degustar despreocupadamente a sua refeição, acompanhando-a com Mateus Rosé. Outro episódio tem por protagonista a Rainha Isabel II. Numa festa privada no requintadíssimo Hotel Savoy, a rainha terá requisitado o vinho Mateus, que não constava da lista do hotel. O gerente depressa o providenciou, recorrendo a uma loja nas imediações, mas desde então o vinho da Sogrape passou a fazer parte da lista permanente de vinhos.

7. A entrada nos Estados Unidos. O contrato de distribuição que Fernando Guedes conseguiu para o Mateus nos EUA terá resultado de uma perfeita noção de protocolo e cumprimento das boas práticas negociais que o fundador da Sogrape elevava a uma verdadeira ética de trabalho. Ao chegar à reunião agendada por Michel Dreyfus, potencial distribuidor naquele importante mercado, este terá dito ao português que estava com pressa e que apenas lhe atribuía cinco minutos  do seu tempo para expor as condições do negócio. Muito calma e respeitosamente, Fernando Guedes cumprimentou-o dizendo: «Tive muito prazer em conhecê-lo. Foi uma honra. Muito obrigado… Mas se me dá cinco minutos, apenas tenho tempo para o cumprimentar. Adeus!». Dreyfus ficou atónito e, preparando-se o seu interlocutor sair, convidou-o a sentar-se. Ao fim de uma longa conversa, Fernando Guedes saía da reunião com um acordo de distribuição no mercado americano.

8. O vinho da Guerra Fria. Durante o período da Guerra Fria, o Mateus tornou-se um dos vinhos mais bebidos nas bases do exército americano. Os seus soldados são tidos como um dos grandes responsáveis pela difusão do vinho em mercados do Extremo Oriente, como no Vietname.

9. A chegada ao Extremo Oriente. O slogan usado na primeira campanha publicitária no mercado japonês rezava: «Os Portugueses foram os primeiros a trazer o pão – agora trazem-lhe o vinho». Este tornar-se-ia um mercados mais importantes para a marca. Fernando Guedes ainda terá participado pessoalmente nas campanhas de promoção do Mateus nesta zona do globo, razão pela qual a imprensa asiática o apelidou de «Mr. Rosé».

10. O Mateus na Lua. Outro grande apreciador do vinho cor-de-rosa da Sogrape foi o comandante Frank Borman, o primeiro astronauta a circundar a Lua. Ao relatar a sua experiência, terá dito: «Só lamento, quando voava à volta da Lua, não ter vinho Mateus para me deliciar». Numa viagem que realizou posteriormente terá exclamado no momento em que sobrevoava o nosso país: «Portugal? Hey, isn’t that’s where Matchews comes from? Sure wish we’d had a crate up there!»

 

Pedro Almeida Leitão

Nota: como fonte para a elaboração deste artigo recorreu-se à obra «Sogrape, uma história vivida», de Gaspar Martins Pereira (2007).

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