O bom serviço do vinho para evitar frustrações à mesa

Quantas vezes fomos já protagonistas de encontros mal passados com o vinho? Não falo, sequer, do que se passa em nossas casas – marcas desconhecidas (ou, nas mais das vezes, conhecidíssimas) que revelam vinhos com perfis diametralmente opostos ao que esperamos; garrafas com “cheiro a rolha”; copos mal lavados que, ainda com sabão, mofo ou outro elemento intrusivo, empestam os aromas do vinho; ou harmonizações gastronómicas demasiado previsíveis ou até mesmo disfuncionais (enquanto outras, suspeita mas surpreendentemente maravilhosas, ficam por experimentar, por preguiça ou preconceito).

Escrevo sobre as vezes que saímos para almoçar, jantar ou tomar um copo, e todos estes problemas se repetem e ressoam com dobrada intensidade; porque, no final de contas, perdemos o nosso tempo, a paciência, e lá saem frustradas as expectativas que tínhamos de saborear um copo de bom vinho com a refeição e a companhia primorosamente escolhidas para essa ocasião.  Para mais, no final, ainda nos é depositada a conta na mesa, a cobrança pelo serviço prestado, que se torna por força a amarga punchline de todo o episódio.

Julguem os vinhos que vos deixam frustrados, mas julguem sobretudo a mão de quem os serve, e como os serve. Um bom Loureiro pode ser uma das grandes predilecções (uma das grandes perdições) de uma tarde de calor primaveril. Mas se servido vários dias depois de aberta a garrafa, não há boca que aguente o travo acre do vinho oxidado. E assim se adorna de irritação essa belíssima tarde.

O Porto tem desenvolvido projectos ligados à restauração de um gosto e de uma sofisticação irrepreensíveis; de grande diversidade, da cozinha mais cosmopolita à mais acolhedora tasca de bairro; de pratos para o dia-a-dia a preços em conta com a crise, até às iguarias que pairam no estrelato da haute cuisine internacional.

Mas, neste cenário, não se pode afirmar que a generalidade do serviço de vinho no sector da restauração da cidade tenha acompanhado a melhoria qualitativa. Os problemas descritos em cima continuam a ocorrer com uma frequência demasiado dissonante com o profissionalismo e o rigor dos pratos servidos. E o aconselhamento de vinhos, a sugestão oferecida ao cliente para acompanhar certo prato com certo vinho, quando é feita (quase sempre tomada como desafio à competência do empregado) resume-se ao trivial: tinto para a carne, branco para o peixe, e o Verde para as urtigas.

A educação do vinho não se parte apenas do cliente. Começa, tem de começar, por quem nos serve o vinho à mesa e nos prepara toda a experiência gastronómica que o acompanha.

One Reply to “O bom serviço do vinho para evitar frustrações à mesa”

  1. Não podia estar mais de acordo consigo. É bom que todos os profissionais de hotelaria partilhem as preocupações por si expressas e estejam à altura da situação quando são solicitados a propor o vinho para o prato por nós escolhido, como eu sempre faço. É importante que os estabelecimentos dêm uma formação sobre os vinhos que têm na carta aos seus colaboradores, para que eles possam fazê-lo. Como consumidor afirmo a minha incapacidade manifesta de conhecer todas as marcas de vinho e colheitas para lá dos exemplares que tenho na minha adega para consumo caseiro e que previamente procuro provar.
    Três hurras aos maravilhosos vinhos portugueses!
    Julio oliveira

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s