Três vinhos para três canções do NOS em D’Bandada 2015

Aproveitando mais uma edição do NOS em D’Bandada, que no Sábado passado encheu o Porto de música, propomos hoje um exercício insólito: pegar em três canções de novos músicos que por lá passaram e atribuir-lhes um perfil de vinho. O critério de escolha? A suposição, a simples e deliciosa suposição (já alguém comprovou?), do bom que seria beber o vinho enquanto se dança: palato, ouvido e ritmo cardíaco em perfeita sintonia melódica. Os resultados das combinações são uma experiência de gosto pessoal, é claro. Fica a sugestão da brincadeira que, como é próprio das coisas que não são para levar a sério, é o que mais importa.

1. A música contagiantemente dançável de Mirror People – e em particular este «I Need Your Love» – pede um vinho etéreo e expansivo, que encha a boca de alegria como uma interminável rave de Ano Novo. Um copo de espumante para mim, dourando o êxtase a cada finíssima bolha. E pelo vinho, pela música e pelas luzes somos elevados ao globo de espelhos que impera lá em cima, estrela-mãe das noites de festa. A menina dança? Claro que sim. E não aceita uma flute?

2. Nas águas furtadas do teu amor / procuro uma vista de rio. Que dizer da corrente encantadoramente melancólica das canções dos Trêsporcento, onde paira sempre um loquaz romantismo que nos arrasta verso a verso, sulcando a melodia em direcção ao mar. Tu sentes que o mar não sabe, mas eu sei que teria o mundo no regaço ao partilhar um copo de tinto encorpado e suave – um Dão, aromático e envolto em ternura, como o veludo desta canção – com quem merece o meu amparo quando está frio. Vinho, música e poesia num só acto de beleza.

3. A Carminho é uma das novas e mais bonitas vozes do Fado de Lisboa. De vez em quando incorre em passos mais ousados (que tão bem lhe ficam) como este «Saia Rodada» com cadência de bate-pé minhoto. Fresco e espevitado, num dia soalheiro de verão. Hm… minhoto, fresco, Soalheiro… Subliminarmente, ou talvez não, esta cantiga reclama um vinho verde, branco leve e fresquinho, a estalar na língua ao ritmo dos passos batidos no chão, e das palmas na mão; e vai girando a roda, ao compasso do coração.

Pedro Almeida Leitão

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