Vinhos de Portugal: um mundo de diferença

 

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Que não haja dúvida: estes são dias de glória para o vinho português. Se há uns anos ainda era possível suspeitar dos prémios que os produtores portugueses timidamente começavam a coleccionar, ou dos primeiros artigos publicados pelas revistas mais atentas, hoje é habitual começar um novo dia com a notícia de mais uma distinção atribuída aos vinhos de Portugal por críticos, revistas, festivais, concursos e demais colégio de sumidades internacionais que ditam os vencedores e os vencidos do sector. O mundo descobriu o potencial do vinho português. Não que antes fosse inexistente, apenas encoberto, à espera de ser aprimorado. Da contenda quantidade vs. qualidade saiu vitoriosa a última, de facto a legítima pretendente num país polvilhado de regiões vinícolas tão diferentes e com tanta personalidade (e tão mal equipado para competir com as fábricas e vinho do Novo Mundo, reis da quantidade e do preço nos mercados externos). Ganharam eles e ganhámos nós.

Sabiamente, a construção desta nova escola de saber-fazer – a que elege a qualidade e personalidade dos vinhos como matriz – não se orientou comercialmente de dentro para fora (nem o inverso), como hoje é comum em tantos sectores da economia portuguesa. Antes, envergando toda a sua lusitanidade, armou-se em cosmopolita bon vivant e convidou nacionais e estrangeiros, indistintamente, para conhecer os trunfos que com graça e jeito ia produzindo. Se o mundo acordou para o vinho português, Portugal, felizmente, redescobriu-o. Começou a beber mais e melhor, trouxe à mesa combinações ousadas, surpreendeu-se, divertiu-se, puxou do copo de vinho só porque sim, no café, na esplanada, em casa, com amigos. Quem nos visita gosta de ver a desenvoltura com que o tratamos. É sinal de confiança, de reconhecido bom gosto. Nós comprovamos na aprovação deles a qualidade do vinho. Percebemos que disputamos o Olimpo dionisíaco com as mais consagradas vinhas do mundo. E se não o bebemos com mais gosto (ou bebemos?), reforçamos a certeza no caminho trilhado.

Acredito que a robustez da imagem de qualidade do vinho português assenta neste encontro de apreciadores sem fronteiras, unidos no vinho como expressão da terra, desta terra. Ironia de elevar a continente o quintal cá de casa. Ou talvez não, se nos tivermos, enquanto portugueses, como voz dessa expressão. O nosso vinho: figura presente nos gestos, hábitos, rotinas e tradições – o vinho que se torna cultura. Aos atributos que o substanciam como bem de comércio acrescenta as linhas que tecem as relações humanas e que o prendem ao tempo.

Se não há fórmula certa que produza resultados ideais, há certamente, na essência dessa palavra hoje tão usada ao calhas e a despropósito, uma estratégia. E com ela as linhas orientadoras, o controlo da direcção, os instrumentos de acção que permitem, ao longo do tempo, palpar a mudança. Nenhuma organização soube tão bem arquitectar esta estratégia como a ViniPortugal. Agindo em perfeita simbiose nos planos interno e externo, a associação interprofissional tem tido a difícil missão de firmar o nome do vinho português na constelação internacional e, em paralelo, difundir no mercado nacional o gosto pelo vinho de qualidade, convertendo públicos tidos por inalcançáveis anos atrás.

A presença no exterior não se destina a embandeirar o nome da organização, como frequentemente se vê noutros domínios. Aliás, desde logo se compôs uma marca forte, espelho do perfil da nova geração de vinhos portugueses. A “Wines of Portugal” serve grandes e pequenos produtores sobre os mesmos eixos fundadores da qualidade e da autenticidade dos vinhos. A marca é cuidadosamente gerida, acarinhada por todos e alimentada pelo compromisso de vencer nos mercados externos por aqueles valores, que cada vez mais produtores partilham ao iniciar a etapa de internacionalização dos seus vinhos.

A mais icónica campanha lançada em Portugal teve por objectivo promover o consumo do vinho “A Copo”, como tão despretensiosamente o nome sugere. Mais acessível que a garrafa de 75cl, mais prático e económico. E sempre apropriado, simples e tão fácil: no bar, no restaurante, na esplanada, peça um copo de vinho. E desfrute. Se nos parágrafos acima ao discorrer sobre o vinho-cultura insuflei de nuvens as intenções, concretizo agora: são campanhas assim que enraízam o vinho nos nossos dias. É copo a copo que se fia a mudança, os bons hábitos que sagraremos – na próxima geração, talvez ainda nesta – como parte e sentido do «ser português».

Pedro Almeida Leitão

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